Ode irregular à lucidez- Lúcia Meira
Cansei de coisas que não são verdadeiras .
Pássaro preso,não me alegra seu canto. Plantas e flores de plásticos,
Pássaro preso,não me alegra seu canto. Plantas e flores de plásticos,
já não enfeitam mais a minha vida.
São mortas.
Implacavelmente imutáveis.
Não crescem.
Não florescem.
Sempre do mesmo modo.
Num tempo que insana,
pensava que não a perderia.
Não percebia que elas nunca iriam florir.
Nunca teriam uma folha seca,
demonstrando que lhes faltaram cuidados.
Iludia, que não sofreria a perda,
sempre estaria do jeito que a quis.
Com o tempo,
a poeira, o sol
tornaram as plantas ,que nunca tiveram vida, a impressão de mortas.
Notei que procurei me enganar com suas aparências ,
para satisfazer meu desejo de ter a alegria, mas foi em vão.
Não quero mais viver uma mentira,
que criei.
Prefiro viver o outono,
esperar a primavera livre,
que tem seu tempo de vir e ir.
Alegrar com essas idas e vindas ,
como se fosse uma brisa que passa, sutilmente ,
e depois volta soprar.
Quando vai
deixa a esperança.
Quando volta livremente,
traz a alegria.
Melhor que ter a ilusão

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