A dor e a delícia de ser adolescente -Lúcia Meira
Adolescência é a fase do desenvolvimento humano, repleta de crises doloridas no momento vivido. Deixa na memória lembranças deliciosas, das mudanças de criança, para o amadurecimento do adulto. Confesso que sinto leve,quando lembro da minha infância. Já na adolescência, surgem na memória confusa, angustiosamente alegre.É como sentir a fragrância de um perfume que usou e gostou, mas não se encontra mais para usar.Chego a sentir um friozinho na barriga.Como um fantasma, que volta a me fazer sentir as mesmas susto arrepiante.Também como coisas deixadas no passado, fazendo reviver momentos que poderíamos disfarçar, como esquecidos.Vem um temor de sentir dor.Vejo que quando sai da infância, nunca mais terei a leveza ingênua daquela época.Sinto vontade de deixar todas outras fases guardadas, para fugir de sentir dor.Dor na alma.Apesar de não ter acontecido nada trágico. Dá-me culpa de sentir assim,mas é verdadeiro e legítimo o que sinto, porque crescer dói. Lembro da natureza que nos mostra situações que parecem com a morte e depois revivem mais bela. Para mim, começou o enfrentamento na vida e tornou-se impossível , não ser a responsável por escolhas e pelas suas consequências.Não será mais possível correr para mãe ou pai e pedir que resolva a questão problemática.Sinto saudade de apenas viver ... Lembranças de amores intensos e platônicos.Não conhecer o amado e sentir que não viveria mais sem ele, e esse ele nem sabe que esse sentimento existia. Choros inadequados, sentimentos de rejeições. Sentir-se inapropriada. Covarde e incapaz para tomar qualquer atitude.Sempre querendo quem não me queria.Quando acontecia um namorado muito apaixonado por mim, logo perdia o interesse por ele.Até parece aquela música"quem eu quero não me quer, quem me quer mandei embora". Tinha que sofrer para amar.O que de amor não tinha nada, namoros curtos, que se for ver nem eram namoros, na época de minha mãe chamaria de flerte , no minha "paquera" e agora "crush". Lembro de festinhas no clube de 19hs ás 22 h, nos colégios, lanchonetes, saídas da missa, alto da Av. Afonso Pena, me trazem alegria de lembrar. Treinos de dança, escutar,na casa de amiga. Encontros à tarde com amigas, almoços.Ir ao clube e ficar na casa primos, para sair a noite e depois comer pipoca no mirante das Mangabeiras. O Primeiro namorado, eu estava com quinze anos de idade , foi na festa da minha turma do primeiro gráu de fim de ano na casa de colega. Fomos colegas vários anos.
Meus pais falavam que moça que não eram levadas à sério ,o namorado não casariam com ela.Quanto maior o desejo que sentia , mais fria eu ficava, para disfarçar.Tive outros namorados que terminavam comigo, porque eu era distante no relacionamento.Sempre tinha um rapaz querendo me namorar, mas não ia para frente. Eu não era eu.Era o que os outros esperavam que eu fosse.Era boa filha, boa aluna e namorada séria.Não era contente.Como li , era "desinfeliz", não era feliz e nem infeliz. Não arriscava e não era espontânea .Preocupava com a aparência, ás vezes que me achava muito feia , quando me olhava no espelho me sentia bem .As pessoas me elogiavam, mas sempre me via com vários defeitos.
Quando criança me sentia poderosa ,linda e não me preocupava em competir e não me comparava com as outras meninas. A comparação e sentimento de inferioridade de adolescente, me fazia ser uma pessoa tímida e insegura.Brilhava como estudante e sabia que assim destacava, e ficava alegre.
Adolecência, áurea época, mas quantos sentimentos confusos!
Hoje lembro de tudo e acho graça.Gostaria de voltar a viver com a "cabeça" de hoje, o que vejo que temos como benefício, quando envelhecemos.Tudo era muito engraçado.

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